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Saraiva entra com pedido de recuperação judicial

Pedido ocorre menos de um mês depois da Livraria Cultura adotar a mesma estratégia para renegociar dívidas

A Saraiva comunicou nesta sexta-feira, 23, que entrou com pedido de recuperação judicial na 2ª Vara de Falências e Recuperações Judiciais do Foro Central da Comarca de São Paulo a fim de organizar suas dívidas. No comunicado, a empresa aponta que optou por esse movimento devido à necessidade de buscar proteção para a repactuação de seu passivo junto aos seus fornecedores e garantir a perenidade da operação. O total de débitos informado no pedido de recuperação judicial soma, aproximadamente, R$ 675 milhões. O plano de recuperação será apresentado aos credores em breve, no momento oportuno.

Em 26 de outubro, a Livraria Cultura também entrou com pedido de recuperação judicial para renegociar uma dívida de R$ 285,4 milhões, com bancos e fornecedores. A Cultura adquiriu a Fnac que, também recentemente, encerrou completamente sua operação no Brasil. Segundo o comunicado da Cultura, a iniciativa foi tomada devido às “incertezas do cenário econômico brasileiro e, dentro delas, a crise do mercado editorial, que encolheu 40% desde 2014, o que fez com que a Livraria Cultura passasse a enfrentar dificuldades, também. Diante disso, a Livraria Cultura iniciou, há três meses, um duro programa de ajustes: eliminamos lojas de baixo resultado; redimensionamos o quadro de funcionários; cortamos despesas de toda ordem; fizemos uma revisão profunda do planejamento de curto e médio prazos. Optamos também pela recuperação judicial da Livraria Cultura, cujo pedido está sendo apresentado aos órgãos competentes”.

No dia 30 de outubro, a Saraiva, que opera em 17 estados e no Distrito Federal, anunciou o fechamento de 20 lojas em todo o País como parte de um esforço da companhia em obter rentabilidade e ganho de eficiência operacional, dentro de uma estrutura mais enxuta e dinâmica. A empresa inaugurou, neste ano, quatro lojas dentro do novo conceito de canais nas cidades de Cuiabá (MT), Rio de Janeiro (RJ) e Olinda (PE).

“A Saraiva tem tomado diversas medidas para readequar seu negócio a uma nova realidade de mercado, com quedas constantes no preço do livro e aumento da inflação. No início deste ano, a Saraiva propôs aos fornecedores a negociação de seu passivo, a qual não obteve sucesso. Em decorrência do agravamento de sua situação, a Companhia julgou que a apresentação do pedido de recuperação judicial seria a medida mais adequada nesse momento, no contexto da crise no mercado editorial, reflexo do atual cenário econômico do país. O objetivo é proteger o caixa, fazendo com que a empresa retome sua estabilidade e, posteriormente, seu crescimento econômico, bem como garantir a preservação da continuidade de sua operação nas lojas físicas e e-commerce”, diz o comunicado.

A rede de livraria também informa que a recuperação judicial não altera, de forma alguma, o funcionamento da operação, que segue com 85 lojas físicas em todo o Brasil e o canal de e-commerce.

Sindicato dos editores

No dia 7 deste mês, a diretoria do Sindicato Nacional dos Editores de Livros (Snel) se reuniu para avaliar soluções para a continuidade das redes de livrarias Cultura e Saraiva e discutir um plano de negociação com essas empresas. No encontro, foi definida uma proposta de curto prazo, que foi enviada aos CEOs de ambas as redes. Além disso, foi aprovada a convocação de uma assembleia geral extraordinária para as editoras associadas do Snel, que foi realizada nesta quinta-feira, 22 de novembro, justamente para discutir a continuidade do fornecimento para as redes de livrarias Cultura e Saraiva. Juntas, as empresas somam uma dívida estimada em R$ 325 milhões com as editoras.

Na assembleia, à frente das negociações com as duas redes nos últimos seis meses, o presidente do Snel, Marcos da Veiga Pereira, comunicou aos presentes o andamento das tratativas após a discussão de propostas com ambas as livrarias no dia 8 deste mês. Segundo comunicado do Snel, nessa data, após sessão de diretoria, o SNEL traçou condições para a manutenção do fornecimento, que incluem: 1) o pagamento antecipado de novas encomendas; 2) a conciliação dos estoques em consignação e acertos quinzenais a partir de novembro; 3) um plano de recuperação que preveja mudanças na gestão das empresas e um assento do Snel no comitê de credores. Com a Cultura, que teve o pedido de recuperação judicial aceito pela Justiça de São Paulo no dia 25 de outubro, foram discutidas as mesmas condições.

Prossegue o Snel, em nota, que, em caráter excepcional, foram convidados para a assembleia executivos do mercado que tiveram participação direta nas tratativas entre editores e as redes de livrarias. Representantes da Livraria Cultura apresentaram o novo plano da empresa. Luís Antonio Torelli, presidente da Câmara Brasileira do Livro (CBL), ao lado de Diego Drummond, da Editora Faro e membro do conselho consultivo da CBL, relataram sua participação na mediação das últimas negociações com a Saraiva — que autorizou a exibição de uma contraproposta preliminar durante a reunião. Um advogado especialista em recuperação judicial também esteve presente no encontro, a fim de esclarecer dúvidas dos associados sobre esse tipo de processo.

Numa consulta sem natureza deliberativa e vinculativa após o debate das propostas, a orientação da maioria das editoras foi manter o apoio às duas redes, com algumas restrições. No caso da Saraiva, sem prejuízo de uma melhor análise, foi unânime a opinião favorável à continuidade de negociação da nova proposta, que atende às principais demandas mencionadas anteriormente. Já o da Cultura, que implica um aumento de exposição de crédito, dividiu opiniões e parte das editoras exigiu garantias mais concretas.

Com o anúncio do pedido de recuperação judicial da Saraiva nesta sexta-feira, o presidente do Snel acredita que as negociações ganham mais transparência. “A partir deste momento, todas as obrigações da Saraiva deverão ser cumpridas em dia, o que traz mais segurança para seus credores”, diz Pereira.

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