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As lágrimas salgadas de Leilane Neubarth

Se pudesse, entraria na tela e lhe diria que a vida continua, apesar de tanta crueldade

Fernando Dourado Filho fala de sua admiração pela apresentadora Leilane Neubarth, da GloboNews

Sempre que posso, gosto de ver o telejornal apresentado por Leilane Neubarth. É difícil, pois os horários são ingratos. Mas quando acontece, como no período em que convalesci de um entorse complicado, não costumo perder. Minha apresentadora preferida passa a ideia de ser uma pessoa intensa, daí apaixonante. Sei pelo aspecto geral se ela está bem ou não. Muitas vezes, o cabelo ruivo chega a brilhar de tão bem tratado. Os olhos da cor de pequenos lagos alpinos emitem um fulgor que deve equivaler à luminosidade dos OVNIs – segundo quem os viu. De outras feitas, parece que ela chegou ao estúdio de afogadilho e instruiu a cabeleireira a fazer um coque de última hora. Como toda mulher mercurial, Leilane tem dias em que aparece muito, mas muito mal vestida. Engraçado, não deve ser mera coincidência, geralmente é às segundas-feiras. O que oferece um baita contraste com as sextas em que ela desfila uma elegância impecável, quase provinciana de tão apurada. Dia desses, nada se salvava: combinação das cores, os sapatos e os cabelos arrepiados. Mais parecia uma retirante ucraniana fugindo de um "pogrom" de cossacos. O bom é que o traje desnuda o estado de alma dela.

Vou além, porém. Tem ocasiões em que ela está para poucos amigos. Nos tempos que tinha o monocórdio Vidor ao lado, coitado, sentia-se que ora ela se apiedava dele, ora batia duro quando o colega abusava das platitudes: "Ah, como eu queria viver pelo menos um dia nesse Brasil imaginário que só o Vidor enxerga". Imagino as broncas que não deve ter levado da direção. Mas ela fica especialmente linda quando a emoção a arrebata. Quando um episódio isolado destrava dores represadas e abre as comportas da emoção em estado puro, apesar de contida. Dia desses o fenômeno foi observável a olho nu. A reportagem era com uma viúva que perdera o marido na tal ciclovia que despencou. A senhora falava sobre o quanto o falecido marido tivera uma vida feliz e o quanto lhe era reconfortante saber que viveram um amor de verdade. Certamente Leilane já tinha visto a edição. Mas aqui mora o encanto. Como faz uma atriz que reata com a dor a cada ensaio, a voz de prosódia coruscante ficou embargada; os olhos cintilaram; o nariz avermelhou e, então, sobreveio um silêncio. É uma paradinha que só ela sabe fazer. Então, limpa a garganta e vai em frente. Não raro, acrescenta um comentário antes de respirar fundo.

Ah, é nessas horas que me dá vontade de lhe enxugar as lágrimas furtivas e salgadas que transbordam pelos cantos dos dois laguinhos violeta. Se pudesse, entraria na tela e lhe diria que a vida continua, apesar de tanta crueldade. Foi o que tive vontade de fazer semana passada quando ela noticiou em pânico as tais escutas em que o presidente teria sido flagrado em tenebrosas tentações com um biltre. Como poderia ela ter tido isenção e recuo se até hoje as derrapadas da Procuradoria chocam pelo amadorismo processual? Calma, Leilane, calma. Se eu fosse seu marido, sugeriria que fossemos passar o fim de semana na Serra, num chalé de Itaipava, e que lá tomaríamos um Borgonha delicioso, ouvindo o crepitar da lareira. Puxaria de meu repertório histórias edificantes em que o amor triunfa e em que as pessoas superam as dores mais infames. Até que ela sorrisse e, de repente, me cravasse os olhos com uma expressão nova e ardente. Mas, geralmente, é nessa hora que desperto. E o sonho se evapora até renascer na próxima edição.

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